terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Publicidade na internet brasileira deve bater jornais e revistas até 2015, diz consultoria
A publicidade na internet brasileira deve superar os gastos com anúncios em jornais e revistas até 2015, seguindo fenômeno já observado nas economias mais desenvolvidas, segundo a Wark International Ad Forecast, serviço que analisa o segmento,
Pesquisa divulgada nesta semana mostra que os mercados emergentes vão garantir o crescimento da publicidade em 2012. Entre os 13 países pesquisados pela Wark, o Brasil deverá apresentar o quarto maior avanço, 8,5%, atrás de Rússia (16,5%), Índia (14%) e China (11,5%).
No ano passado, o setor de publicidade brasileiro ocupou a mesma posição, com avanço de 7,1%, em um período marcado por decréscimos em algumas das principais economias.
De acordo com o estudo, a internet puxa o crescimento dos anúncios globalmente, com variação positiva nos países pesquisados de 12,6%, seguida por TV (5,3%), Outdoors (5,1%), Cinema (3,8%) e Rádio (2,9%).
Já revistas e jornais deverão apresentar queda em 2012, de 1,2% e 2%, respectivamente, prevê a Wark. No caso do Brasil, o aumento da publicidade online deverá ser de 23,8%, informa a pesquisa. Já jornais e revistas devem avançar 3,6% e 6%, respectivamente.
"E importante lembrar que, embora tenha apenas 6% dos gastos em publicidade no Brasil, a internet cresce muito rápido, de 20% a 50% todo ano desde que iniciamos a pesquisa. Todas as outras mídias estão perdendo participação para o online, principalmente impressos e rádio, embora a TV ainda seja dominante. Imagino que a internet passará os jornais e será a segunda maior mídia em publicidade até 2015", avalia Suzy Young, editora de Informação da Wark.
Sem surpresa
Embora os gastos com publicidade online nos países pesquisados devam crescer menos em 2012 do que em 2011, quando o aumento foi de 16,6%, o segmento deverá responder por 20% do total investido em anúncios até o fim do ano, informa a Wark.
Entre as chamadas economias desenvolvidas, Alemanha (-0,8%), França (-0,9%) e Itália (-2,3%) apresentarão em 2012 o pior desempenho de sua história na comparação com o ano anterior.
"Com os receios sobre dívida afetando mercados mais maduros e o otimismo de investidores e consumidores, não é surpresa que o crescimento do setor em 2012 venha dos países emergentes", avalia Young. Ela lembra que as eleições nos Estados Unidos e eventos esportivos como os Jogos Olímpicos evitaram cenário ainda pior.
Young observa ainda que, embora afetado pela recessão na Europa, o Brasil manteve o crescimento da publicidade, o que ocorre há dez anos.
Os gastos no setor no país terão passado de R$ 11 bilhões, em 2003, para R$ 30,1 bi, em 2012, já descontado o impacto da inflação nestes números.
"O investimento estrangeiro na indústria brasileira de comunicação tem impulsionado o crescimento de gastos em publicidade. E vai continuar", prevê.
A participação do Brasil no total aplicado nos 13 países examinados também vem aumentando: de 3,1%, em 2003, para estimados 4,5%, em 2012.
Os Estados Unidos, cuja fatia passou de 50,4% para 41,6% nos últimos dez anos, vem perdendo espaço para emergentes.
Já a participação da China terá passado de 6,5%, em 2003, para 12,2% em 2012, segundo as séries históricas da Wark.
Fonte: http://www.bbc.co.uk
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Não é merchan! O certo é Product Placement
O termo comumente utilizado, conceitualmente, está errado, pois sabemos que merchandising é promoção no ponto-de-venda
Por Marcos Hiller
Estudos de Harvard constataram que cerca de 1.800 mensagens publicitárias tentam impactar um consumidor em um dia, sejam spots de rádio, outdoors, anúncios televisivos, pop-ups que a gente fecha em segundos etc. Destas 1.800, o consumidor é atingido apenas com 80, mas realmente lê e presta atenção em 15. Esses números impressionantes ratificam que existe hoje um verdadeiro bombardeio de mensagens nos consumidores. E não é preciso muita capacidade técnica para chegarmos a uma conclusão óbvia: uma pessoa normal simplesmente não consegue decodificar tamanho volume de informação. A nossa capacidade de absorção é limitada e cabe aos bem pagos profissionais que planejam essas mensagens o dever de minimizar esse desperdício de esforço e de dinheiro. Sim, o resultado disso é dinheiro na lata de lixo.
E diante desse bombardeio, as marcas não são bobas. Elas tentam nos impactar não somente nos espaços pré-reservados para publicidade, mas também dentro dos programas de televisão, nos filmes, nas novelas. O termo correto para classificar esse tipo de ação é o Product Placement, com uma tradução literal de "colocação de produto". O mercado brasileiro criou uma convenção para chamar essa ação de "merchandising" ou "merchan" para os íntimos, e todos chamam dessa forma, até mesmo a Rede Globo, quando sobem as letrinhas no final da novela, aparece lá "Merchandiging: Banco Itaú, Natura". Mas conceitualmente está errado, pois sabemos que merchandising é promoção no ponto-de-venda. Independente de como se queira chamar, essa é uma tendência cada vez mais forte. E é uma prática mais antiga do que se imagina. Dentro da novela Roque Santeiro de 1986 que o Canal Viva está reprisando, pode-se evidenciar inúmeros exemplos de Product Placement da Cerveja Antarctica, Postos Atlantic (marca que já faleceu) e Banco Itaú (que ainda não era laranja), nem tão bem feitos assim.

No filme "Náufrago" a bola Wilson é praticamente um personagem vivo, por aparecer do início ao fim como o único "amigo" do protagonista na ilha em que ele se abriga após sobreviver a uma queda de avião
Logicamente esse é um dos espaços de mídia mais caros, pois impacta o consumidor de forma mais efetiva que a propaganda tradicional. Só que a negociação é árdua para se inserir uma marca dentro de uma novela tem que se obter a "benção" do protagonista da cena, do diretor e até do autor da novela. Há diretores que gostam, outros nem tanto. Anos atrás, a própria Rede Globo encomendou uma pesquisa qualitativa de "focus group" para avaliar como o telespectador percebe o Product Placement. Entre as várias conclusões da pesquisa, ela mostrou que o telespectador gosta e não acha mais isso tão intrusivo no contexto das cenas.
Sempre se fez esse tipo de prática publicitária, só que agora é feito de forma muito mais bem feita. Não conseguimos imaginar o filme Náufrago de Tom Hanks sem a clássica bola de vôlei da marca Wilson. Para esses exemplos em que a marca ganha muito evidência o Product Placement é chamado de "Brand Entertainment". A Wilson injetou milhões de dólares ali, só que nesse caso foi feito de forma meio mal planejada: o foco de vendas da marca Wilson são bolinhas de tênis, não de vôlei, e eles sofreram para atender a absurda demanda por bolas de vôlei que o filme gerou. A marca Fedex ali fez um trabalho mais bem feito.
O premiado filme "The Girl with the Dragon Tattoo" com Daniel Craig, e que deve abocanhar algumas estatuetas no Oscar desse ano, trouxe de forma sublime estratégias de Product Placement muito bem elaboradas dentro da trama. No começo do filme, o personagem Mikael (vivo por Craig) pede um "Marlboro Red" em um café e depois traga o cigarro com cara de quem aprovou o blend. O buscador Google (sim, Google é marca de buscador, certo?) é usado o tempo todo pelos personagens, que sempre trabalham com MacBooks Air da Apple. Além de latas de Coca-Cola e o McLanche Feliz que sempre eram consumidos pela atriz principal, a decidida personagem Lisbeth. Tudo de forma cirúrgica, sutil e nada forçado.
Fonte: Administradores.com.br
Por Marcos Hiller
Estudos de Harvard constataram que cerca de 1.800 mensagens publicitárias tentam impactar um consumidor em um dia, sejam spots de rádio, outdoors, anúncios televisivos, pop-ups que a gente fecha em segundos etc. Destas 1.800, o consumidor é atingido apenas com 80, mas realmente lê e presta atenção em 15. Esses números impressionantes ratificam que existe hoje um verdadeiro bombardeio de mensagens nos consumidores. E não é preciso muita capacidade técnica para chegarmos a uma conclusão óbvia: uma pessoa normal simplesmente não consegue decodificar tamanho volume de informação. A nossa capacidade de absorção é limitada e cabe aos bem pagos profissionais que planejam essas mensagens o dever de minimizar esse desperdício de esforço e de dinheiro. Sim, o resultado disso é dinheiro na lata de lixo.
E diante desse bombardeio, as marcas não são bobas. Elas tentam nos impactar não somente nos espaços pré-reservados para publicidade, mas também dentro dos programas de televisão, nos filmes, nas novelas. O termo correto para classificar esse tipo de ação é o Product Placement, com uma tradução literal de "colocação de produto". O mercado brasileiro criou uma convenção para chamar essa ação de "merchandising" ou "merchan" para os íntimos, e todos chamam dessa forma, até mesmo a Rede Globo, quando sobem as letrinhas no final da novela, aparece lá "Merchandiging: Banco Itaú, Natura". Mas conceitualmente está errado, pois sabemos que merchandising é promoção no ponto-de-venda. Independente de como se queira chamar, essa é uma tendência cada vez mais forte. E é uma prática mais antiga do que se imagina. Dentro da novela Roque Santeiro de 1986 que o Canal Viva está reprisando, pode-se evidenciar inúmeros exemplos de Product Placement da Cerveja Antarctica, Postos Atlantic (marca que já faleceu) e Banco Itaú (que ainda não era laranja), nem tão bem feitos assim.

No filme "Náufrago" a bola Wilson é praticamente um personagem vivo, por aparecer do início ao fim como o único "amigo" do protagonista na ilha em que ele se abriga após sobreviver a uma queda de avião
Logicamente esse é um dos espaços de mídia mais caros, pois impacta o consumidor de forma mais efetiva que a propaganda tradicional. Só que a negociação é árdua para se inserir uma marca dentro de uma novela tem que se obter a "benção" do protagonista da cena, do diretor e até do autor da novela. Há diretores que gostam, outros nem tanto. Anos atrás, a própria Rede Globo encomendou uma pesquisa qualitativa de "focus group" para avaliar como o telespectador percebe o Product Placement. Entre as várias conclusões da pesquisa, ela mostrou que o telespectador gosta e não acha mais isso tão intrusivo no contexto das cenas.
Sempre se fez esse tipo de prática publicitária, só que agora é feito de forma muito mais bem feita. Não conseguimos imaginar o filme Náufrago de Tom Hanks sem a clássica bola de vôlei da marca Wilson. Para esses exemplos em que a marca ganha muito evidência o Product Placement é chamado de "Brand Entertainment". A Wilson injetou milhões de dólares ali, só que nesse caso foi feito de forma meio mal planejada: o foco de vendas da marca Wilson são bolinhas de tênis, não de vôlei, e eles sofreram para atender a absurda demanda por bolas de vôlei que o filme gerou. A marca Fedex ali fez um trabalho mais bem feito.
O premiado filme "The Girl with the Dragon Tattoo" com Daniel Craig, e que deve abocanhar algumas estatuetas no Oscar desse ano, trouxe de forma sublime estratégias de Product Placement muito bem elaboradas dentro da trama. No começo do filme, o personagem Mikael (vivo por Craig) pede um "Marlboro Red" em um café e depois traga o cigarro com cara de quem aprovou o blend. O buscador Google (sim, Google é marca de buscador, certo?) é usado o tempo todo pelos personagens, que sempre trabalham com MacBooks Air da Apple. Além de latas de Coca-Cola e o McLanche Feliz que sempre eram consumidos pela atriz principal, a decidida personagem Lisbeth. Tudo de forma cirúrgica, sutil e nada forçado.
Fonte: Administradores.com.br
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Sem curiosidade, não há solução
Aidan Dwyer está ficando famoso em todo o mundo. O estudante americano de 13 anos inventou um mecanismo que aumenta a eficiência da captação de energia solar entre 20% e 50%. Para isso, não partiu de conhecimentos complexos, acessíveis a poucos. O motor de tudo foi a curiosidade.
Nas construções que utilizam energia solar, os painéis são dispostos horizontalmente. Instigado pelo mecanismo utilizado pelas árvores para absorver luz solar, Dwyer passou a buscar formas diferentes de organizar os painéis. Ele montou em um suporte tubular vertical, com pequenos painéis nas extremidades (veja foto abaixo).
Assim, Dwyer criou uma estrutura em que os painéis de capitação da luz do sol foram organizados como folhas em galhos. A invenção funcionou tão bem que lhe rendeu o prêmio de Jovem Naturalista, concedido pelo Museu Americano de História Natural, uma das mais importantes instituições de ensino e pesquisa dos EUA. Os testes com a invenção mostram que, comparada aos formatos tradicionais, a árvore solar de Dwyer é muito mais eficiente, até mesmo em épocas de menor incidência solar, como o inverno. Por ser vertical, a estrutura não é enterrada pela neve e também é menos prejudicada pela chuva.
As reportagens sobre o feito do menino rodam o mundo e já há empresas interessadas em fabricar em grande escala e comercializar a árvore solar. Um projeto que foi apresentado pela primeira vez na feira de ciências da escola.
A história Dwyer não é só inusitada; é emblemática. A curiosidade diante do desconhecido, disparada pela observação do mundo ao redor, é a marca fundamental dessa descoberta. É um lembrete contundente da importância de estimular as crianças a perguntar, seja lá o que for, e, acima de tudo, não deixar que dogmas sirvam de limitador para a capacidade natural do ser humano de questionar, investigar, estudar e ampliar seus horizontes.
Da redação
Fonte: Jornal Destak
Colaboração de envio: VDRuiz
Nas construções que utilizam energia solar, os painéis são dispostos horizontalmente. Instigado pelo mecanismo utilizado pelas árvores para absorver luz solar, Dwyer passou a buscar formas diferentes de organizar os painéis. Ele montou em um suporte tubular vertical, com pequenos painéis nas extremidades (veja foto abaixo).
Assim, Dwyer criou uma estrutura em que os painéis de capitação da luz do sol foram organizados como folhas em galhos. A invenção funcionou tão bem que lhe rendeu o prêmio de Jovem Naturalista, concedido pelo Museu Americano de História Natural, uma das mais importantes instituições de ensino e pesquisa dos EUA. Os testes com a invenção mostram que, comparada aos formatos tradicionais, a árvore solar de Dwyer é muito mais eficiente, até mesmo em épocas de menor incidência solar, como o inverno. Por ser vertical, a estrutura não é enterrada pela neve e também é menos prejudicada pela chuva.
As reportagens sobre o feito do menino rodam o mundo e já há empresas interessadas em fabricar em grande escala e comercializar a árvore solar. Um projeto que foi apresentado pela primeira vez na feira de ciências da escola.
A história Dwyer não é só inusitada; é emblemática. A curiosidade diante do desconhecido, disparada pela observação do mundo ao redor, é a marca fundamental dessa descoberta. É um lembrete contundente da importância de estimular as crianças a perguntar, seja lá o que for, e, acima de tudo, não deixar que dogmas sirvam de limitador para a capacidade natural do ser humano de questionar, investigar, estudar e ampliar seus horizontes.
Da redação
Fonte: Jornal Destak
Colaboração de envio: VDRuiz
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Governo insere 52 nomes na "lista suja" do trabalho escravo
Atualizada nesta sexta (30), o cadastro de empregadores flagrados com mão-de-obra análoga à de escravo cresceu com a entrada de 52 novos registros, chegando ao número recorde de 294 nomes, de acordo com notícia divulgada no Blog do Sakamoto. Entre os que entraram na “lista suja” estão grupos sucroalcooleiros, madeireiras, empresários e até uma empreiteira envolvida na construção da usina hidrelétrica de Jirau. A relação inclui também médicos, políticos, famílias poderosas e casos de exploração de trabalho infantil e de trabalho escravo urbano. Para ver a lista atualizada, clique aqui
http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D33EF459C01348F5EED0C7973/Cadastro%20de%20Empregadores%20dez%2011%20Vers%C3%A3o%20Final%20DETRAE.pdf .
A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo – que representam mais de 25% do PIB brasileiro.
O nome de uma pessoa física ou jurídica é incluído na relação depois de concluído o processo administrativo referente à fiscalização dos auditores do governo federal e lá permanece por, pelo menos, dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências com o governo e os trabalhadores. Caso contrário, permanece na lista.
Abaixo, trechos da apuração de Bianca Pyl, Daniel Santini e Maurício Hashizume, daRepórter Brasil, que monitora o cadastro desde sua criação em novembro de 2003:
Entre os novos registros, há casos como o de Lidenor de Freitas Façanha Júnior, cujos trabalhadores, segundo os auditores fiscais do trabalho envolvidos nas operações de libertação, bebiam água infestada com rãs, e o do fazendeiro Wilson Zemann, que explorava crianças e adolescentes no cultivo de fumo. Entre os estados com mais inclusões nesta atualização estão Pará (9 novos nomes), Mato Grosso e Minais Gerais (8 cada). A incidência do problema no chamado Arco do Desmatamento demonstra que a utilização de trabalho escravo na derrubada da mata para a expansão de empreendimentos agropecuários segue presente.
Nesta atualização, apenas dois nomes foram retirados do cadastro (Dirceu Bottega e Francisco Antélius Sérvulo Vaz), o que pesou para que a relação chegasse a quase 300 registros.
A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo – que representam mais de 25% do PIB brasileiro.
O nome de uma pessoa física ou jurídica é incluído na relação depois de concluído o processo administrativo referente à fiscalização dos auditores do governo federal e lá permanece por, pelo menos, dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências com o governo e os trabalhadores. Caso contrário, permanece na lista.
Abaixo, trechos da apuração de Bianca Pyl, Daniel Santini e Maurício Hashizume, daRepórter Brasil, que monitora o cadastro desde sua criação em novembro de 2003:
Entre os novos registros, há casos como o de Lidenor de Freitas Façanha Júnior, cujos trabalhadores, segundo os auditores fiscais do trabalho envolvidos nas operações de libertação, bebiam água infestada com rãs, e o do fazendeiro Wilson Zemann, que explorava crianças e adolescentes no cultivo de fumo. Entre os estados com mais inclusões nesta atualização estão Pará (9 novos nomes), Mato Grosso e Minais Gerais (8 cada). A incidência do problema no chamado Arco do Desmatamento demonstra que a utilização de trabalho escravo na derrubada da mata para a expansão de empreendimentos agropecuários segue presente.
Nesta atualização, apenas dois nomes foram retirados do cadastro (Dirceu Bottega e Francisco Antélius Sérvulo Vaz), o que pesou para que a relação chegasse a quase 300 registros.
Escravos da cana
Entre os destaques da atualização estão libertações que chamam a atenção pelo grande número de escravos resgatados em plantações de cana-de-açúcar. Só na Usina Santa Clotilde S/A, uma das principais de Alagoas, foram flagrados 401 trabalhadores em situação degradante em 2008. Também entra nesta atualização a Usina Paineiras, que utilizou 81 escravos em Itabapoana (RJ) em 2009. Um ano após o flagrante que resultou nesta inclusão, a empresa comprou a produção da Erbas Agropecuária, onde foram flagrados 95 trabalhadores escravizados.
Mesmo com o aumento da preocupação social por parte das usinas, real ou apenas declarado, o setor ainda tem ocorrências de mão-de-obra escrava.
A Miguel Forte Indústria S/A foi flagrada explorando 35 trabalhadores, incluindo três adolescentes, na colheita de erva-mate em Bituruna (PR). A madeireira, que mantinha o grupo em barracões de lona sob comando de “capatazes”, anuncia na sua página que “o apoio a projetos sociais que promovem a cidadania e o bem-estar, principalmente entre a população carente, mostra o comprometimento da Miguel Forte com os ideais de uma sociedade mais justa e humana”. À frente da empresa, Rui Gerson Brandt, acumula o cargo de presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná (Sindpacel).
Mesmo com o aumento da preocupação social por parte das usinas, real ou apenas declarado, o setor ainda tem ocorrências de mão-de-obra escrava.
A Miguel Forte Indústria S/A foi flagrada explorando 35 trabalhadores, incluindo três adolescentes, na colheita de erva-mate em Bituruna (PR). A madeireira, que mantinha o grupo em barracões de lona sob comando de “capatazes”, anuncia na sua página que “o apoio a projetos sociais que promovem a cidadania e o bem-estar, principalmente entre a população carente, mostra o comprometimento da Miguel Forte com os ideais de uma sociedade mais justa e humana”. À frente da empresa, Rui Gerson Brandt, acumula o cargo de presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná (Sindpacel).
Hidrelétrica de Jirau
Não é só na monocultura ou no campo que os flagrantes acontecem. As condições degradantes em projetos bilionários do país têm sido uma constante e, nesta atualização, uma das empreiteiras envolvidas na construção de uma hidrelétrica também entrou na lista. A Construtora BS, contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), foi flagrada utilizando 38 escravos na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau. Além de enfrentarem problemas relacionados aos alojamentos, segurança no trabalho e saúde, os empregados ainda eram submetidos a escravidão por dívida, por vezes em esquemas sofisticados que envolvem até a cobrança por meio de boletos bancários, conforme denunciado, na época, pela Repórter Brasil.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Propaganda que muda a estratégia do negócio
LÍLIAN CUNHA - O Estado de S.Paulo
O inglês Philip Thomas, presidente do Cannes Lions, gosta de dizer que criatividade na propaganda não é um anúncio incrível ou uma obra de arte. Para ele, é uma solução de venda. E, como tal, faz parte da estratégia do negócio. Esse conceito - que coloca agências de publicidade e companhias anunciantes para trabalhar e pensar juntas - é a tendência mais moderna da propaganda mundial atualmente, na opinião do executivo, que esteve em São Paulo na semana passada.
"O digital é básico. Não adianta dizer que é a tendência porque já foi incorporado. Não existe mais campanha que não o inclua. É preciso dar um salto à frente", diz Thomas. Esse salto adiante, diz, é colocar a criatividade a serviço da estratégia da empresa. "É o que chamamos de 'mash it up'", diz Thomas. Ou seja: misturar tudo.
Um bom exemplo de como essa mistura funciona vem da Austrália. Com apenas 12 funcionários, a pequena agência Happy Soldiers foi escalada com a missão de aumentar as vendas da Tontine, uma das maiores fabricantes de travesseiros daquele país. Publicitários e executivos da indústria traçaram juntos um plano de ação que começou com uma mudança simples nos produtos da companhia: a data de validade dos travesseiros passou a ser estampada bem visível no tecido dos travesseiros.
Com esse mote, Tontine e Happy Soldiers criaram uma campanha que incluiu além de anúncios em vários meios, uma campanha para recolher travesseiros velhos. "Em média, os australianos usam seus travesseiros por dois anos e sete meses - o que já é uma grande melhora com relação aos três anos e três meses registrados antes do início de nossa campanha, em outubro de 2010", diz Adam Heathcote, gerente geral da Tontine. "Mas esse período ainda está longe de dois anos, que é o tempo de uso ideal dos travesseiros", acrescenta.
Ácaro. Os anúncios de TV do travesseiro com data de validade mostram atores representando pessoas em frente ao televisor, assistindo a um comercial da Tontine. Sem mostrar ácaros ou coisas do tipo, o narrador fala do mofo e dos fungos que se proliferam dentro dos travesseiros velhos, fora da validade, enquanto a expressão das pessoas assistindo à TV no filme vai assumindo um ar de espanto e repulsa.
"Nossa meta era um crescimento nas vendas de 30%, em unidades. Mas conseguimos chegar a 345% logo na primeira semana da campanha", diz Lucinda Kew, gerente de marketing e de desenvolvimento de produtos da Tontine. A campanha australiana ganhou dois Leões em Cannes este ano.
Outro exemplo da parceria entre empresa e agência é o caso da Domino's Pizza do Japão, que também foi premiado em Cannes. Quando contratada para fazer uma campanha para a marca americana de pizzas, a agência Hakuhodo, de Tóquio, iniciou uma pesquisa com consumidores para saber como o serviço de entrega de pizzas poderia vender mais. Descobriu que os jovens japoneses - principal público da empresa - não usavam o "delivery" simplesmente porque passavam pouco tempo em casa. Com essa informação, Hakuhodo e Domino's sentaram à mesa juntas para bolar uma estratégia.
O resultado foi o Domino's Pizza App, um aplicativo para ser baixado em iPhones pelo qual o consumidor poderia fazer seus pedidos. Graças ao GPS dos aparelhos, a Domino's localiza onde o consumidor está e entrega a pizza seja qual for esse lugar: um parque, no trabalho, na praia ou na rua. "É uma ideia brilhante, mas não uma ideia de tecnologia. A alma desse projeto foi levar em conta a necessidade do consumidor", afirma Thomas.
A Domino's não revela a performance das vendas no Japão. Mas analistas acreditam que a alta de 17,8% no resultado da companhia no último trimestre tem a ver com a iniciativa.
O Brasil, porém, ainda está longe dessa nova tendência publicitária, segundo Rafael Sampaio, vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA). "O que atrapalha é que, aqui, a agência quer uma coisa e o anunciante quer outra. Muitas vezes as duas partes nunca chegam a um acordo", afirma.
Fonte: O Estado de São Paulo.
Contribuição de envio: VDRuiz
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Anac aperta cerco sobre as companhias aéreas
Por Daniel Rittner | De Brasília
Empresas aéreas que tiverem índices elevados de atrasos e cancelamentos vão perder parte de seus voos em horários disputados de aeroportos como Guarulhos, Brasília, Confins e Santos Dumont. Embora ainda preservem "janelas" livres em períodos de menor demanda, esses quatro aeroportos têm faixas de horários completamente lotadas, como o início da manhã e o fim da tarde, dificultando a entrada de novos concorrentes que queiram voar nos períodos de pico.
Hoje, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já pode redistribuir os "slots" (autorizações de pousos e decolagens) de empresas que não cumprem índices trimestrais de 80% de regularidade e pontualidade, mas a regra só vale para aeroportos congestionados durante todo o dia, o que na prática limita sua aplicação a um único caso: o aeroporto de Congonhas.
No primeiro trimestre de 2012, essa norma mudará e será aplicada por faixas de horário, segundo o diretor-presidente da Anac, Marcelo Guaranys. "A regra atual é de difícil operacionalização e não coíbe suficientemente os cancelamentos e atrasos. Nossa intenção é fazer com que a empresa operando em um aeroporto congestionado se comprometa a fazer um uso mais eficiente da infraestrutura", diz Guaranys.
Ainda não está definido se haverá mudanças no índice mínimo de regularidade e pontualidade. Técnicos da agência vão propor à diretoria alterações na forma de redistribuir os "slots" tomados. Pela regra em vigor, a Anac sorteia 80% dos voos perdidos entre as próprias companhias que atuam no aeroporto, reservando apenas 20% para novas pretendentes. A proposta da área técnica é que essa divisão seja igualitária, mas a diretoria pode apertar mais esses números.
Outra mudança para coibir atrasos e cancelamentos será aplicada antes disso, possivelmente em janeiro. As empresas aéreas serão obrigadas a informar, em seus sites, os índices de regularidade e pontualidade de cada voo, além da categoria a que pertencem os assentos - a Anac tem um selo de qualidade, que vai de A a E, para dimensionar o espaço útil entre as poltronas.
"Tudo isso força as companhias a dar mais informações no ato da compra e estimula melhorias no atendimento aos passageiros", afirma Guaranys, funcionário de carreira da Secretaria do Tesouro. Após passagem pela Anac como diretor, de 2007 a 2010, ele foi escolhido pela presidente Dilma para comandar a agência em julho, liderando a elaboração dos editais de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.
Empresas aéreas que tiverem índices elevados de atrasos e cancelamentos vão perder parte de seus voos em horários disputados de aeroportos como Guarulhos, Brasília, Confins e Santos Dumont. Embora ainda preservem "janelas" livres em períodos de menor demanda, esses quatro aeroportos têm faixas de horários completamente lotadas, como o início da manhã e o fim da tarde, dificultando a entrada de novos concorrentes que queiram voar nos períodos de pico.
Hoje, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já pode redistribuir os "slots" (autorizações de pousos e decolagens) de empresas que não cumprem índices trimestrais de 80% de regularidade e pontualidade, mas a regra só vale para aeroportos congestionados durante todo o dia, o que na prática limita sua aplicação a um único caso: o aeroporto de Congonhas.
No primeiro trimestre de 2012, essa norma mudará e será aplicada por faixas de horário, segundo o diretor-presidente da Anac, Marcelo Guaranys. "A regra atual é de difícil operacionalização e não coíbe suficientemente os cancelamentos e atrasos. Nossa intenção é fazer com que a empresa operando em um aeroporto congestionado se comprometa a fazer um uso mais eficiente da infraestrutura", diz Guaranys.
Ainda não está definido se haverá mudanças no índice mínimo de regularidade e pontualidade. Técnicos da agência vão propor à diretoria alterações na forma de redistribuir os "slots" tomados. Pela regra em vigor, a Anac sorteia 80% dos voos perdidos entre as próprias companhias que atuam no aeroporto, reservando apenas 20% para novas pretendentes. A proposta da área técnica é que essa divisão seja igualitária, mas a diretoria pode apertar mais esses números.
Outra mudança para coibir atrasos e cancelamentos será aplicada antes disso, possivelmente em janeiro. As empresas aéreas serão obrigadas a informar, em seus sites, os índices de regularidade e pontualidade de cada voo, além da categoria a que pertencem os assentos - a Anac tem um selo de qualidade, que vai de A a E, para dimensionar o espaço útil entre as poltronas.
"Tudo isso força as companhias a dar mais informações no ato da compra e estimula melhorias no atendimento aos passageiros", afirma Guaranys, funcionário de carreira da Secretaria do Tesouro. Após passagem pela Anac como diretor, de 2007 a 2010, ele foi escolhido pela presidente Dilma para comandar a agência em julho, liderando a elaboração dos editais de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.
Fonte: Jornal Valor Econômico
Braskem elege Brasil para investir
Por Mônica Scaramuzzo | De São Paulo
Nos últimos dois anos, a Braskem fez grandes investimentos no exterior, com aquisições nos Estados Unidos e Europa. Agora, a empresa voltou a eleger o Brasil para desenvolver seus principais projetos de expansão. Carlos Fadigas, CEO da companhia, disse ao Valor que os planos de crescimento no país incluem uma fábrica de polipropileno no polo de Camaçari (BA), duas novas unidades de produção de "plástico verde" e aportes no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).
O valor total desses investimentos ainda está em discussão, mas deve alcançar US$ 5 bilhões. "Nossa prioridade será o Brasil", afirmou o executivo. O ano de 2011 foi difícil para as indústrias químicas e petroquímicas nacionais, por conta da crise internacional. O setor foi prejudicado pela valorização do dólar e pelos grandes volumes de importação de produtos, o que deve resultar em um saldo comercial negativo em US$ 25,9 bilhões.
Apesar desses fatores, segundo Fadigas, a estratégia de voltar a dar prioridade aos investimentos no Brasil leva em conta uma visão de longo prazo. O maior projeto da companhia será tocado em parceria com a Petrobras, no Comperj. Trata-se da maior central petroquímica em construção no país, projeto orçado em US$ 13 bilhões, que terá duas refinarias controladas pela estatal e um polo petroquímico sob comando da Braskem.
A Braskem faz parte do grupo Odebrecht - 8º no ranking brasileiro segundo o anuário "Valor Grandes Grupos" - e possui 28 fábricas em operação no Brasil, parte delas advinda da incorporação da Quattor, em 2010.
A nafta é a principal matriz petroquímica da Braskem. Com o Comperj, que terá maior fonte de gás natural, a companhia se tornará mais competitiva no Brasil, uma vez que os custos para produzir resinas com nafta são bem mais altos.
Nos últimos dois anos, a Braskem fez grandes investimentos no exterior, com aquisições nos Estados Unidos e Europa. Agora, a empresa voltou a eleger o Brasil para desenvolver seus principais projetos de expansão. Carlos Fadigas, CEO da companhia, disse ao Valor que os planos de crescimento no país incluem uma fábrica de polipropileno no polo de Camaçari (BA), duas novas unidades de produção de "plástico verde" e aportes no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).
O valor total desses investimentos ainda está em discussão, mas deve alcançar US$ 5 bilhões. "Nossa prioridade será o Brasil", afirmou o executivo. O ano de 2011 foi difícil para as indústrias químicas e petroquímicas nacionais, por conta da crise internacional. O setor foi prejudicado pela valorização do dólar e pelos grandes volumes de importação de produtos, o que deve resultar em um saldo comercial negativo em US$ 25,9 bilhões.
Apesar desses fatores, segundo Fadigas, a estratégia de voltar a dar prioridade aos investimentos no Brasil leva em conta uma visão de longo prazo. O maior projeto da companhia será tocado em parceria com a Petrobras, no Comperj. Trata-se da maior central petroquímica em construção no país, projeto orçado em US$ 13 bilhões, que terá duas refinarias controladas pela estatal e um polo petroquímico sob comando da Braskem.
A Braskem faz parte do grupo Odebrecht - 8º no ranking brasileiro segundo o anuário "Valor Grandes Grupos" - e possui 28 fábricas em operação no Brasil, parte delas advinda da incorporação da Quattor, em 2010.
A nafta é a principal matriz petroquímica da Braskem. Com o Comperj, que terá maior fonte de gás natural, a companhia se tornará mais competitiva no Brasil, uma vez que os custos para produzir resinas com nafta são bem mais altos.
fonte: Jornal Valor Econômico
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